… é um treco estranho de verdade. Se eu fosse uma médica e tivesse que dar um diagnóstico, diria que é um distúrbio mental temporário com leves arritmias cardíacas. Se eu fosse uma advogada, diria que é um processo que foge do princípio moral e existencial de todo ser humano, mas é necessário como instrumento de superação sentimental e, novamente, existencial deste mesmo ser humano. Já se eu fosse um anjo, diria que meu nome é cupido e meu passatempo preferido é foder com a vida das pessoas. Se eu fosse um mágico…bem, se eu fosse um mágico, diria que a paixão é a minha profissão. Ora, pois não é?
Quando a gente se apaixona? Aliás, vamos recaptular: por quem a gente se apaixona? Pelas pessoas mais bizarras, odiadas, irritantes, incompatíveis e contraditórias. Afinal, você também já deve ter mordido a língua falando que nunca ficaria com alguém assim e assado e pronto. Hoje, o tal assim e assado está na sua lista de ex-namorados.
A paixão não é prevista, premeditada, ela simplesmente acontece e é quando você menos espera. Parece mesmo que tacam um pózinho de pirilimpimpim na sua cara e a gente passa a ver a pessoa com outros olhos. Isto é cientifcamente comprovado no momento em que o efeito da poção paixão acaba. Você acorda, olha pro lado e pensa: o que eu tô fazendo com esse ser assim e assado do meu lado? SAAAAAAAI, DÊMONIO! Pois é. Para onde foi aquela beleza? Aquele charme? Aquela sedução toda? Eu namorei ISSO?
Se eu fosse uma médica e tivesse que dar um diagnóstico no período pós-paixão, diria que é uma amnésia cardiologicamente seletiva. Se eu fosse uma advogada, diria que é um processo com veracidade de fundamentos invocados (fumus boni juris) e com possibilidade de ocorrer dano grave ou irreparável. Já se eu fosse um anjo, diria que fazer pessoas feias felizes é visto como algo positivo no céu – ande uma casa. Se eu fosse um mágico…bem, se eu fosse um mágico, enfiaria essa porra de paixão na cartola e faria sair o amor. Bem menos meticuloso, porém mais sincero.




