"Absolutamente nada, além disso tudo, se encontra aqui."

A paixão…

… é um treco estranho de verdade. Se eu fosse uma médica e tivesse que dar um diagnóstico, diria que é um distúrbio mental temporário com leves arritmias cardíacas. Se eu fosse uma advogada, diria que é um processo que foge do princípio moral e existencial de todo ser humano, mas é necessário como instrumento de superação sentimental e, novamente, existencial deste mesmo ser humano. Já se eu fosse um anjo, diria que meu nome é cupido e meu passatempo preferido é foder com a vida das pessoas. Se eu fosse um mágico…bem, se eu fosse um mágico, diria que a paixão é a minha profissão. Ora, pois não é?

Quando a gente se apaixona? Aliás, vamos recaptular: por quem a gente se apaixona? Pelas pessoas mais bizarras, odiadas, irritantes, incompatíveis e contraditórias. Afinal, você também já deve ter mordido a língua falando que nunca ficaria com alguém assim e assado e pronto. Hoje, o tal assim e assado está na sua lista de ex-namorados.

A paixão não é prevista, premeditada, ela simplesmente acontece e é quando você menos espera. Parece mesmo que tacam um pózinho de pirilimpimpim  na sua cara e a gente passa a ver a pessoa com outros olhos. Isto é cientifcamente comprovado no momento em que o efeito da poção paixão acaba. Você acorda, olha pro lado e pensa: o que eu tô fazendo com esse ser assim e assado do meu lado? SAAAAAAAI, DÊMONIO! Pois é. Para onde foi aquela beleza? Aquele charme? Aquela sedução toda? Eu namorei ISSO?

Se eu fosse uma médica e tivesse que dar um diagnóstico no período pós-paixão, diria que é uma amnésia cardiologicamente seletiva. Se eu fosse uma advogada, diria que é um processo com veracidade de fundamentos invocados (fumus boni juris) e com possibilidade de ocorrer dano grave ou irreparável. Já se eu fosse um anjo, diria que fazer pessoas feias felizes é visto como algo positivo no céu – ande uma casa. Se eu fosse um mágico…bem, se eu fosse um mágico, enfiaria essa porra de paixão na cartola e faria sair o amor. Bem menos meticuloso, porém mais sincero. 

“Todo mundo espera alguma coisa de sábado à noite.” Não? Na pior das hipóteses, eu espero o meu sono chegar, ouvindo as minhas músicas prediletas dentro do meu quartinho aconchegante, com o ar-condicionado ligado e lendo boas frases da Tati Bernardi. Ela se tornou uma espécie de Martha Medeiros desbocada e eu ADORO poder ler aquilo que, às vezes, não tenho saco de explicar. Ou seja: ela se tornou mais uma das minhas inspirações.

Não que esse post de hoje seja um desabafo – tá mais pra desaforo mesmo – mas, não tem como achar normal o modo como a maioria das pessoas enxergam os relacionamentos, sejam eles quais forem. Eu sou a favor do simples, que deveria ser o convencional, mas, sei lá porque raios não é. Comigo é assim: “Eu quero. Você quer? Sim ou não? Quer? ÓTIMO! Não quer? ÓTIMO. Não sabe? Decide logo, porque eu tenho mais o que fazer.”

As pessoas criam jogos, fazem e depois desfazem, não cumprem o que dizem, não dizem o que cumprem, somem e aparecem quando bem entendem e acham que temos que achar isso tudo normal. Na na ni na não! Eu não acho isso nada normal. Pra mim, as regras devem ser claras, pra que eu possa saber NÃO jogar.

Detesto fazer coisas que não faço, dizer coisas que não acho e tirar pessoas que não quero da cabeça, mas elas insistem nesse “game over”. Meu jogo é não jogar e, que mal há em ser sincero? Gosto de saber onde piso e com quem ando. O resto, é consequência. Mas, a sinceridade eu prezo acima de tudo.

Comigo não tem “amor mais ou menos”, não tem “gostar mais ou menos”, não tem “querer mais ou menos.” Ou é ou não é. Parece fácil, mas é difícil. Um belo dia, será que eu vou aprender? Burra!

Acabei de voltar do show do Chico. Sinto-me anestesiada de todo o mal do mundo, por pelo menos esta noite. Sabe, eu não sou muito fã de ser fã de alguém. Nem na adolescência. Conto em menos de uma mão os artistas que colecionei fotos, artigos e acessórios. Depois de adulta (é, agora eu sou adulta, é mole?), não me considerava fã de ninguém. Porém, a vida foi me mostrando que estava enganada. As pastas palpáveis se transformaram em pastas on line. Encontrei várias delas no meu computador com fotos e mais fotos em JPEG de Tom Jobim, Vinicius e, claro, Chico Buarque. Pilhas de CDs? Mais que isso. Pastas pesadas com centenas de músicas em MP3 desses caras. É, acho que isso já era o suficiente pra perceber que sim, eu tinha ídolos.

Acabei de voltar do show do Chico. O segundo que fui na vida. Foi duro encarar de novo aquele homem ali, na minha frente. Um cara que conheço um pouco da vida, alguns tímidos semblantes, muito das músicas e que, de alguma forma, faz parte da minha curta vida. Sim, pois ele estava presente em  inúmeras histórias de amor pessoais, das quais foi meu intérprete preferido para tantos sentimentos: reconfortantes palavras, vingança interna e vontade de dar a volta por cima, – de um jeito que só ele sabe expressar – amor incondicional, desejo de ter, ver, ser, paixão pura, platônica, em paz, saudade doída, ferida, teimosa. Ele podia compartilhar comigo cada fase importante de qualquer relação. Ele sabia botar pra fora os pensamentos mais obscuros de alguém. Ele sabia o que acontecia em qualquer coração. Isto sem contar nas inebriantes apresentações a personagens únicos, com histórias tocantes, que dava vontade de conhecer, mesmo sabendo que poderiam ser somente fruto de sua mente, que mente tão bem!


Acabei de voltar do show do Chico. – já falei isso hoje? – Não sei ao certo, mas me arrepiei umas três vezes e me deu vontade de chorar umas quatro. Foi aí que me dei conta: é, realmente eu sou sua fã. Vê-lo logo ali, me fez pensar que Chico talvez seja o único ídolo que tenho vivo. Preciso aproveitá-lo enquanto posso! Eu tentava piscar o mínimo possível, mas os olhos ardiam. Eu criei uma boa cistite, porque não queria ir ao banheiro por nada, só pra não perder nem um minutinho sequer… Sem contar as vozes em uníssono da plateia, que completavam o gostinho de “noite inesquecível” que tive hoje.


Sei que tem muita menina nova que se diz ser fã e não sabe nada. Conhece somente as músicas que tocam nas rádios e não se intera sobre a história de vida do artista. Diz que é fã só porque acha o Chico um coroa interessante e porque vai aparentar ter uma certa cultura diante de tanta gente fútil nesse Brasil. Concordo, mas, não generalizem. Sei que homens idiotas com um projeto de cérebro tiram a camisa em eventos e festas e nem por isso acho que todos são assim. Todos os homens idiotas fazem isso, mas nem todos que fazem isso são homens idiotas. Há uma graaande diferença. Interseção, lembram-se?

Tenho um pai músico e cresci ouvindo Chico Buarque, Elis Regina e Bossa Nova, em geral. Gosto de muita música ruim e não gosto de muita música boa, mas, por Deus, se tem uma coisa que sei é identificar qualidade musical, seja melódica, rítmica, ou qualquer coisa que a música proporciona. Por mais que eu não quisesse, eu absorvi isso durante toda a minha vida.

Pra terminar, não importa o que falem dele. Aliás, normalmente quem fala, pouco sabe sobre e isso me conforta e me irrita ao mesmo tempo. É preciso respeito, acima de tudo, por um cara que sim, pode não ter voz alguma – canta melhor que você, caro leitor, mas não tem voz alguma -  mas que escreve, interpreta, pensa, rima, cria, pinta e borda com a língua portuguesa de forma tão fascinante. Não troco o tom mais agudo da Mariah Carey por uma rima de proparoxítonas dele. E digo mais, o cara é isso tudo e ainda é simples. Fazer o quê, né?   

chicopost

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Existe a natureza, os animais, as pessoas e os artistas. Sim, os artistas vêm depois das pessoas e só quem vive e convive sabe disso. O povo do teatro não é um monte de doidos que acha que a vida é festa 24 horas por dia. O povo do teatro não é um bando que pensa que tem que se experimentar de tudo, desde o mais vulgar até o mais distinto dos prazeres. O povo do teatro não é uma galera que defende o lema “ninguém é dono de ninguém”. Não, não é nada disso! Só quem respira teatro sabe e vai poder me entender. E se você não é um destes, quem sabe compreenda o que é fazer parte desse mundo encantado.

Para alguns, os artistas são loucos; para mim são seres evoluídos. Por que? Porque eles enxergam o SIMPLES. Parece fácil, mas é justamente o simples que as pessoas não conseguem alcançar. A sociedade molda, complica e todo mundo, como um exército de marionetes, vai lá e imita, sem nem pesquisar ou tentar descobrir o porquê das coisas. Não consigo ver isso no tal “povo do teatro”.

Convivo com eles e reparo na sensibilidade de cada um, na espiritualidade, na força, na alegria. São pessoas únicas, cada uma com sua particularidade, mas que, quando se juntam…Ah, quando se juntam parece que o mundo cabe na palma da mão. Parece que se pode tudo, que se é invencível e uma felicidade toma conta! Espécie de droga que te deixa anestesiado dos problemas da vida.  Essa é a droga que todo mundo deveria experimentar (e por que não se viciar?). Em cada ato é possível ver o sentimento exalando dos poros de um artista. Ele sente, não finge que sente. Ele se entrega, não finge que se entrega. Ele está triste e absorve o que é a tristeza. Ele está feliz e absorve o que é a felicidade. Ele sim é um exímio conhecedor do significado dos sentimentos, porque precisa deles pra trabalhar. E tem coisa melhor do que trabalhar com seus próprios sentimentos? Pra que pagar psicólogo?

Talvez por dividir sensações, personagens, vidas (mesmo que no palco), os artistas se familiarizam, se reconhecem, se observam, se entendem. A criação está ao redor em todos os momentos quando eles estão juntos. Parece que o melhor passatempo é brincar de ser outro e ser outro e ser outro…talvez essa seja toda a magia: os artistas BRINCAM de ser vários personagens e as pessoas comuns levam a sério serem vários personagens, tirando proveito de situações. Conseguem entender a diferença? Ser outro por diversão e conhecimento e ser outro por malícia e maldade?

A cada dia que passa, acho que a profissão que mais é baseada em fingimentos, farsas e mentiras, é composta pelas pessoas mais sinceras do mundo. Somente as mais puras conseguem interpretar as inúmeras variações do ser humano. Ah, os artistas…como me encantam!Ah…ser um deles, como me orgulha!

Feliz sentimentos novos!

É muito simples falar de réveillon quando se pode optar por festejar ou não festejá-lo. Mas, e quando não se tem essa escolha?

Fico imaginando as enfermeiras que trabalham 24 horas em plantões de hospitais. A única contagem regressiva que elas fazem é a das gotas do soro caindo ritmicamente no tubo e indo em direção à veia do paciente. E os coveiros? Não existe hora pra morrer, então, pela lógica, todos que trabalham em cemitérios, necrotérios, podem estar trabalhando em pleno dia 31 de dezembro. Seja maquiando um cadáver ou limpando a capela para o próximo velório.

Guardas, garis, vigilantes, porteiros, faxineiros, garçons, cozinheiros, militares…tantos profissionais que não gozam do simples ato de celebrar o ano que chega. Isso é bom? Faz falta? Quem tem o poder de escolha provavelmente nunca parou para refletir.

Como é passar essa noite longe de quem a gente ama, se dá bem e quer bem? Triste? Pros mais solitários, não faz tanta diferença. Pros mais sensíveis, faz muita. Afinal, todos hão de convir que a noite do dia 31 de dezembro é sempre um pouco mágica. Dá aquela sensaçãozinha de que tudo vai mudar, as coisas vão melhorar, nossos sonhos vão se realizar e tudo de ruim que aconteceu ficou realmente pra trás. Será? Na verdade, é puro ilusionismo. O ano novo gira em torno da esperança, aquela que quase nunca morre, mas que, atualmente, se encontra na beira do abismo pra muita gente. Depois da virada, dormirmos e acordarmos no dia 01 de janeiro. Olhamos pra um lado, olhamos pro outro…e pensamos: “é, nada mudou. Só o ano mesmo.”

Mas, é claro! Não é o ano novo que faz com que as mudanças aconteçam, mas as suas atitudes ao longo do ano velho. Elas devem vir de dentro pra fora e não de fora pra dentro. Não adianta você querer muito um ano bom, mas não fazer nada pra que ele seja realmente bom. Lembre-se: o bom futuro precisa de um passado persistente.

Pense que o seu “ano novo” pode ser o ano inteiro. A cada ato de fé, a cada momento decisivo na sua carreira, a cada meta cumprida, a cada amor conquistado. Pra mim, mais importante do que desejar um bom ano novo, é poder comemorar e agradecer os 12 meses que se passaram.

Poucos percebem que o ano é feito de dias. O dia-a-dia não pode ser tão comum quanto à expressão transparece, afinal, com a soma todos os dias…surpresa! Dá-se o ano.

Então, eu não desejo a vocês um feliz ano novo, não. Desejo mais que isso! Desejo 365 vezes um dia novo, a cada dia, todo dia.Imagem

Aaaai, fone!

               Sim, estou de volta. Como nada se perde, tudo se transforma, crio aqui um póst(umo) em homenagem ao gênio e visionário Steve Jobs. Ele morreu hoje, deixando seu legado repleto de aparelhos que revolucionaram o mundo.

                Jobs lançou primeiro o Ipod, depois o Iphone e, recentemente, o Ipad. Todos os seus “Ais” foram um sucesso! Ele foi o grande culpado de ter extinguido o ultrapassado celular e de ter colocado nas mãos de pessoas comuns o glorioso Iphone, que mais tarde teria “cópias” de todos gêneros, hoje mais conhecidos como Smartphones. Se pararmos para pensar, não se fabricam mais celulares que apenas disquem e atendam. Isso agora é um papel somente dos telefones fixos. Os celulares viraram um brinquedo para as crianças e uma ferramenta de trabalho para os adultos. Tornaram-se sinônimo de entretenimento, conexão com o mundo e, aqui no Rio de Janeiro, se tornaram o demônio em forma de aparelho telefônico.

                É claro que Steve não soube da missa, a metade… O Iphone foi sim o primeiro passo para uma tecnologia eficaz, facilitadora e futurística, onde n coisas podem ser feitas em um único aparelho. A questão é que Stevie não conhece os brasileiros, muito menos os cariocas. Ele não sabe que aqui tudo fica banalizado. Depois do Iphone, surgiu o Blackberry e assim por diante. Atualmente, você encontra umas dez marcas de “smartphones” por 100 reais nos camelôs. E não é só isso. Eles são coloridos, têm teclado QWERT, câmera, lugar pra botar uns 7 chips e…uma caixa de som. Sim, caixa de som.

                E, enfim, chegamos à grande crise midiática dos transportes públicos do Rio de Janeiro. Você entra em um ônibus, por exemplo, e existem diversos ambientes musicais: no fundão tem um Dj tocando funk; na frente, um Dj louvando o Senhor; e no meio, um Dj com os melhores hits do sertanejo universitário. É para surtar qualquer ser humano! E aí é que vem a pergunta, meus caros leitores. Ao invés de vender bala, bananinha e amendoim, porque não entram vendendo fone de ouvido? Eu estou na iminência de cutucar um ser desses e o mandar desligar aquele exu em forma de tecnologia.

                É um absurdo você ser obrigado a ouvir os gostos musicais dos OUTROS. Se ainda fossem os meus gostos…eu cantava junto e batia na palma da mão, mas que ironia, a maioria só ouve música ruim. Tá pra nascer alguém entrando com um celular-caixa-de-som ouvindo Chico Buarque, Bethoveen ou Edith Piaf. Ia ser no mínimo engraçado.

                Isso sem contar que dentro do ônibus existe um desenhozinho deixando bem claro que é proibido ouvir música. Acho que o problema todo está no próprio desenho, que é um radinho de pilha. Se colocar um smartphone com um X na frente, talvez eles compreendam (ou talvez não). Resumo da história? O Iphone Iphodeu o convívio social dentro de transportes públicos.

               Mas…eu tive uma ideia!! E se colocarem um assento preferencial para estas pessoas desprovidas de “Ainteligência” acoplado ao lado de fora do ônibus? Seria interessante… Não! Melhor: e se fizessem janelas também entre os assentos? Ah, não…melhor ainda: e se o bullying fosse legalizado somente em transportes públicos? Tá, chega. Cansei de ser boazinha. Morte aos radinhos de pilha disfarçados de smartphones!

Veja também: http://luzdaline.wordpress.com/2010/03/14/onibus-lotado-lugar-apostado/

Paciente de primeira viagem

Eu não era uma criança bagunceira.  O máximo de traquinagem feita por mim foram 7 pontos no queixo depois de uma corrida contra o meu eu lírico no corredor do prédio. Logo, nunca soube muito bem o que era ser uma criança quebrada. Gesso? Nunca tive que usar. Fraturas? Humm…3 na mesma semana e todas feitas por coisas idiotas (jogando queimado e topada no banheiro). Mas, fora isso, nadinha. Conclui-se então que fisioterapia realmente estava fora dos meus conhecimentos clínico-experimentais. Nunca foi meu forte.

Este ano, não decepcionando meu histórico ortopédico-muscular, torci meu pé em casa, na mais tranqüila paz do lar. Ele ficou dormente e pronto, foi. Todos faziam as mesmas perguntas: “tava dançando?”, “foi no jazz?”, “jogando futebol, né?”. Tinha vergonha, mas foi em casa. Pronto, falei. O problema todo foi que não consegui fugir da tal fisioterapia, palavra um pouco assustadora, mas que todo mundo já tinha feito uma vez na vida. E lá fui eu para a minha primeira sessão fisioterápica.

A primeira coisa engraçada era que a clínica tinha três andares. A parte de fisioterapia fica no segundo andar, excelente para quem deseja se recuperar de uma torção ou fratura. Claro que tem elevador, mas eu ainda acho que seria mais inteligente fazer a parte fisioterápica no primeiro andar. Chegando à sala, sento na cadeirinha. A moça pede que eu retire o sapato e a meia. Começo a observar. Pessoas sentadas ao meu redor com fios em volta do corpo, luvas de cozinha. Peraí. Luvas de cozinha? É. Tem uma luva que as pessoas colocam que é igualzinha a uma luva de cozinha…aquelas para pegar coisas quentes! Eu não via a hora do senhor com as luvas abrir algum forno escondido e pegar um bolo de chocolate. Tava com uma fome de 43 mendigos!

Prosseguindo o tour, tinha também uma espécie de mini-açougue. O cara entrou na salinha, fecharam as cortinas e vi uma luz grande e vermelha sendo acesa. Fiquei morrendo de curiosidade, doida pra abrir a tal cortininha, mas não podia; tava com o pé pra cima, cheio de fios. Ah, sim, chegamos à parte da MINHA fisioterapia. É óbvio que a primeira pergunta que fiz foi: “vai doer?”. A mulher falou que não, que só deixava o pé dormente. “DORMENTE?” Pensava eu. Ora, pois se eu torci porque ele ficou dormente, agora eles vão deixar dormente de novo pra quê? Pra eu torcer de novo? Será que se utiliza o mesmo método das vacinas? Exemplo: quebrei meu dedo jogando vôlei. Eles levam a gente pra uma sala com uma rede de vôlei e então fazem o mesmo movimento que você fez pra “desquebrar” seu dedo? É, acho que não.

Bom, fiquei um tempinho cheia de fios no pé. A moça perguntou onde doía mais e eu apontei. Olhei pra frente e vi uma moça mostrando vários lugares das costas onde as dores dela estavam mais intensas. Acho que ela confundiu fisioterapia com acupuntura, porque a pessoa queria que o corpo inteiro dela fosse mapeado pelo aparelho. Foi aí que pensei em escrever sobre o tema no blog e fui botar a mão no bolso pra pegar meu celular e anotar as ideias e aí…eu lembrei que desliguei o celular. É, eles pedem e acham que me enganam falando que pode dar choque se o celular estiver ligado na hora da fisioterapia. É só falar que é inconveniente, não sou criança, vou entender. Me senti mais tola ainda quando percebi que todo mundo já sabia que o negócio era chato e veio preparado com revistas e livros. Já eu, estava lá, observando o mini-açougue, as luvas de bolo e os outros se distraindo com leituras.

Claro que na HORA que eu encontro uma Veja de 1994 (bem consultório de dentista) com uma matéria interessante, a minha sessão acaba – Murphy, comigo em todos os momentos! – Chegamos na segunda parte do processo. Passei por uma sala cheia de caldeiras de alambiques onde as pessoas colocavam os pés (eu espero, de coração, que as cachaças de Paraty não sejam feitas dessa forma).  

Pronto, estava na terceira e última sala. É, era igual a uma academia. Pesos, caneleiras, aparelhos. Confesso que bateu um desespero. Fiquei morrendo de medo de alguma marombeira vestida com um macacão grudado e meia alta aparecesse do meu lado e perguntasse: “Qual sua série? Posso revezar contigo?” – NÃOOOOOOO! Ok. Graças à Deus nenhuma marombeira apareceu. Fui pra parte de ultrassom. Gelzinho, sono. Tranquilo, tirando as cosquinhas de praxe no pé. Saí da salinha e não tive paciência de esperar o elevador. Fui de escada e…quase tropecei. Por um segundo pensei: “estou no lugar certo caso aconteça alguma coisa com meu pé de novo”, mas depois lembrei que não estava em casa. Em casa é que é mora o perigo, pelo menos pro meu pé.

Amor(te).

   Fazia tempo que não via uma pessoa morta. Era a segunda vez que via alguém da família no caixão. Era a primeira vez que via alguém da família no caixão depois de adulta. Não sei precisar o sentimento, talvez nem tenha nome. É uma mistura de saudade, com perda, compaixão, curiosidade, medo e preocupação. Será que ele tá bem? Será que tá por aqui? Será que vê cada lágrima? Melhor secar…ele não ia gostar de ver todo mundo triste assim.

                É hora de fechar o caixão. Dá um aperto…é a última vez que você vai ver o rosto, mesmo que diferente. Parece que, a qualquer momento, ele vai levantar e dizer que está tudo bem, que não passou de um susto. Parece que o coração ainda tá batendo, parece que pode ficar sem ar lá dentro daquele treco… É como se estivessem maltratando alguém indefeso bem na minha frente e eu não pudesse fazer nada. E não se pode fazer nada…acabou.

                Será que acabou mesmo? Será que o corpo ainda sente um carinho na pele gelada? Será que ele sabe o que aconteceu? Será que vou encontrá-lo algum dia? Só perguntas e nenhuma resposta. Deus podia dar só um sinalzinho de que ele chegou bem. Só um. Mas e a ansiedade para o sinal chegar? Será que agüentaríamos? E se não chegasse?

                Sou católica no papel e na prática não sou de religião nenhuma. Acredito no bem. Ele é o Deus de todas as religiões.  Meu vô, assim como centenas de pessoas diariamente, foi embora. Pra onde? Não sei. Como se sente? Não sei. Quero acreditar que está bem e que olha por nós…mal não faz e conforta a alma.

                “Todo mundo vai morrer”. Parece simples, não? É algo que sabemos que vai acontecer desde novinhos. Seja “foi pro céu, faleceu, morreu, bateu as botas, foi dessa pra melhor”. Existem inúmeras formas, mas nunca nos esconderam de nós que, um dia, de repente, a presença se torna ausência. Entretanto…quem disse que estamos preparados? Nunca estamos, porque só lembramos que ela existe quando alguém morre. Fora isso, vivemos todos os dias de nossas vidas como se não fôssemos morrer. Tratamos as pessoas como se elas fossem ser eternas e aí vem a morte e…zás! Te deixa desnorteado, sem rumo, sem chão.

                Cada vez que alguém querido falece é um filme na cabeça, uma reestruturação emocional, uma reciclagem na alma. Nos torna mais fortes…ou mais fracos. É a lei da vida, é um amargo mistério. Morremos e…será que voltamos? Uma coisa é certa: um dia, todos nós vamos descobrir.

Aos meus caros amigos.

Amigo: palavra bonita, porém mais que bonita, palavra CONQUISTADA.

Aos meus; cada um com um jeito, um rosto, uma mania, uma frase peculiar, um apelido, uma característica, uma qualidade e um defeito a destacar.

Aos meus; cada um representando uma época, uma década, uma fase, um sentimento, um lugar, uma idade, uma roupa, uma música, uma sensação, um cheiro, uma inspiração, um desejo.

Aos meus; os que convivi por um período, um mês, uma semana, um dia, um curso, um estágio, um ano, um momento, uma vida inteira. Entraram no meu mundo por uma espécie de encanto e de lá não mais saíram.

Aos meus; os que, verdadeiramente, me ensinaram a amar de todas as formas possíveis.

E que venham os próximos!

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